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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A criança e o adolescente na academia


"Já vai longe o tempo em que as crianças brincavam nas ruas e nos parques. A crescente violência alterou muito os hábitos de todos nós, especialmente das crianças e dos adolescentes. Os jovens, na sua grande maioria, tornaram-se mais sedentários e envolvidos, seja em casa ou na escola, em atividades com menor exigência física. Como resultado disso, vê-se nessa faixa etária um aumento crescente do sobrepeso e obesidade e das conseqüentes doenças associadas à inatividade.


A criança e o adolescente na academia
Com esta mudança, mudou-se também uma concepção que sempre se teve – que a academia de ginástica, da maneira como conhecemos, não era um local apropriado para o jovem ainda na fase de crescimento. O que parecia restrito a aulas de natação, ginástica olímpica e escolinhas de iniciação esportiva (futebol, basquetebol, etc.), agora parece avançar por atividades até pouco tempo praticadas apenas pelos adultos, como yoga e musculação, entre outras.

Entre as atividades normalmente desenvolvidas nas academias, o treinamento de força, treinamento contra-resistência, ou ainda, a musculação, como é popularmente conhecida, recebe importante destaque. No meio científico a musculação durante a fase de crescimento é vista como uma atividade física adequada, desde que supervisionada por profissionais qualificados e realizada por jovens que não tenham qualquer contra-indicação relacionada à saúde.

O treinamento voltado para força e hipertrofia (aumento de massa muscular) não é muito eficiente num jovem com idade biológica inferior à do pico de crescimento (maior velocidade de crescimento durante o estirão) por razões hormonais, uma vez que seu sistema endócrino ainda não está totalmente desenvolvido, não apresentando a produção dos hormônios anabolizantes, os quais propiciam o aumento da massa muscular, como a testosterona e o hormônio do crescimento (GH).

O fato de não ser eficiente para ganhos significativos de massa muscular, apesar de proporcionar aumentos de força, não deve ser confundido com a crença comum de que é uma atividade contra-indicada devido aos possíveis danos à saúde do praticante. Na verdade, existe evidência de uma maior incidência de lesões na prática de outras atividades – como, por exemplo, o futebol – do que do treinamento contra-resistência. Desde que, claro, tomando-se alguns cuidados e deixando as crianças e adolescentes sob a orientação de profissionais altamente capacitados.

O treinamento contra-resistência é importante para melhorar a força, não pelo aumento da hipertrofia, como já foi dito anteriormente, mas devido ao aperfeiçoamento da técnica de execução dos exercícios, além da eficiência no recrutamento de fibras musculares e melhora da coordenação motora, e ainda pela melhora da aptidão física cardiorespiratória, dos níveis de colesterol, da saúde óssea e, o que parece ser ainda mais importante, a auto-imagem e a auto-estima.

Não bastasse todas estas evidências da importância da academia com relação às melhoras físico-motoras e da saúde dos jovens, ela também está se tornando uma ferramenta para aproximar pais e filhos em torno de algo que é sabidamente saudável – o hábito da atividade física sistemática e a convivência familiar, uma vez que pais e filhos podem exercitar-se juntos, minimizando um dos maiores problemas da sociedade contemporânea, a falta de tempo dos pais para estarem junto aos seus filhos, melhorando a qualidade de vida de toda família e tornando a atividade física mais atraente e motivante para todos."

Referência Bibliográfica:
Gomes, Paulo S. Chagas. Academia: o crescimento seguro da criança e do segmento do mercado. ACAD, número 30, março-abril 2006: 24-25.

Rodrigo Kilpp
Educador Físico
CREF 6386-G/RS

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