Pesquisar este blog

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Aspectos Éticos dos Transplantes de Órgãos

José Roberto Goldim 
Os transplantes de órgãos vem provocando inúmeros questionamentos éticos a cerca da origem, forma de obtenção do material a ser transplantado e tipo de procedimento a ser realizado. Quanto a origem, os órgãos podem ser oriundos de outras espécies animais ( xenotransplante), de seres humanos vivos (alotransplante intervivos) ou mortos (alotransplante de doador cadáver). Quanto a forma de obtenção, especificamente falando em órgãos oriundos de seres humanos, a questão mais importante é a do resguardo da voluntariedade e da espontaneidade no ato de doar órgãos, ou aceita que o bem comum está acima da vontade do indivíduo e permitir a apropriação dos órgãos de cadáveres ou que o indivíduo é proprietário do seu corpo e, desta forma, pode dispor do mesmo como melhor lhe aprouver. O tipo de procedimento também apresenta inúmeros questionamentos. Os transplantes de órgãos internos foram os primeiros, mas alguns transplantes já foram realizados com manifestação externa das partes transplantadas, como o transplante de mão e mais recentemente o transplante parcial de face.
 A utilização de órgãos de outros animais em seres humanos vem atraindo a atenção de cientistas desde o início do século. Exemplo disto é o caso Baby Fae.
A obtenção de órgãos de doador vivo tem sido muito utilizada, ainda é útil, porém é igualmente questionável desde o ponto de vista ético. Este tipo de doação somente tem sido aceito quando existe relação de parentesco entre doador e receptor. A doação de órgãos por parte de amigos ou até mesmo de desconhecidos tem sido fortemente evitada. As questões envolvidas são a autonomia e a liberdade do doador ao dar seu consentimento e a avaliação de risco/benefício associada ao procedimento, especialmente com relação à não-maleficência (mutilação) do doador.
utilização de órgãos de doadores cadáveres tem sido a solução mais promissora para o problema da demanda excessiva. O problema inicial foi o estabelecimento de critérios para caracterizar a morte do indivíduo doador. A mudança do critério cardiorrespiratório para o encefálico possibilitou um grande avanço neste sentido. Os critérios para a caracterização de morte encefálica foram propostos, no Brasil, pelo Conselho Federal de Medicina através da resolução CFM 1480/97. Na doação de órgãos por cadáver muda-se a discussão da origem para a forma de obtenção: doação voluntáriaconsentimento presumidomanifestação compulsória ouabordagem de mercado.
 Em 16 de janeiro de 1997, foi aprovada , pelo Congresso Nacional, após uma longa discussão, a nova lei de transplantes ( Lei 9434/97), sancionada pelo Presidente da República em 4 de fevereiro de 1997, que altera a forma de obtenção para consentimento presumido. A legislação anteriormente vigente (Lei 8489/92 e o Decreto 879/93) estabeleciam o critério da doação voluntária. Em março de 2001 houve uma nova mudança, através da lei 10211, que dá plenos poderes para a família doar ou não os órgãos de cadáver. Todas as manifestações de vontade constantes em documentos  foram tornadas sem efeito.
Ao longo de poucos anos, houve uma mudança muito grande na abordagem desta questão no Brasil . No período de 1968 a 1997 era válida a vontade do individuo, na sua ausência a família poderia se manifestar. A partir de 1997 houve a mudança para a possibilidade da utilização dos cadáveres sem a participação da família, salvo manifestação individual em contrário. Desde março de 2001, apenas a família tem poderes para permitir ou não a doação, sem que haja espaço legal para a manifestação do indivíduo. Recentemente foi apresentada uma proposta inusitada. Um projeto de lei, de junho de 2004, propõe a utilização intervivos de órgãos de condenados a penas superiores a 30 anos de reclusão.
A alocação dos órgãos para transplante, assim como de outros recursos escassos deve ser feita em dois estágios. O primeiro estágio deve ser realizado pela própria equipe de saúde, contemplando os critérios de elegibilidade, de probabilidade de sucesso e de progresso à ciência, visando a beneficência ampla. O segundo estágio, a ser realizada por um Comitê de Bioética, pode utilizar os critérios de igualdade de acesso, das probabilidades estatísticas envolvidas no caso, da necessidade de tratamento futuro, do valor social do indivíduo receptor, da dependência de outras pessoas, entre outros critérios mais.


Disciplina de Bioética I - Aspectos Fundamentais/UFRGS

http://www.ufrgs.br/bioetica/transprt.htm

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tabela de Vacinação


Webclínicas.com esclarece que o uso de qualquer vacina deve ser orientado pelo médico de sua confiança.
A tabela abaixo constitui o padrão habitual de vacinação.
Entretanto prescrições individualizadas podem ser necessárias.
Vacinas
Idade  
Doses 
Combate 
BCG
Ao nascer 
ÚnicaTuberculose
Hepatite Bao nascer 1ª DoseHepatite B
Hepatite B1 Mês2ª DoseHepatite B
Poliomielite (Sabin ou Salk) 1ª DoseParalisia Infantil
DPT (Tríplice Bacteriana)2 Meses1ª DoseDifteria, Tétano e Pertusse ou Coqueluche.
Hib (contra Heamophilus influenza tipo B)2 Meses1ª DoseMeningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenza tipo B.
Poliomielite ( Sabin OU Salk)
4 Meses 
2ª DoseParalisia Infantil
DPT (Tríplice Bacteriana)
4 Meses 
2ª DoseDifteria, Tétano e Pertusse ou Coqueluche.
Hib (contra Heamophilus influenza tipo B)4 Meses2ª DoseMeningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenza tipo B.
Poliomielite ( Sabin ou Salk)
6 Meses 
3ª DoseParalisia Infantil
DPT ( Tríplice Bacteriana)
6 Meses 
3ª DoseDifteria, Tétano e Pertusse ou Coqueluche.
Hib (contra Heamophilus influenza tipo B)6 Meses3ª DoseMeningite e outras Infecções causadas pelo Heamophilus influenza tipo B.
Hepatite B
6 Meses 
3ª DoseHepatite B.
Sarampo9 mesesÚnicaSarampo
Febre Amarela
A cada 10 anos 
ÚnicaFebre Amarela
Poliomielite ( Sabin )15 mesesReforçoParalisia Infantil
DPT ( Tríplice Bacteriana)
15 meses 
ReforçoTétano, Pertusse ou Coqueluche e Difteria.
Tríplice Viral e/ou Dupla Viral
15 meses 
ÚnicaSarampo, Rubéola, Sindrome Rubéola Congênita e Caxumba.
Sarampo ReforçoSarampo
BCG6 a 10 anosReforçoTuberculose.
DT ( dupla adulto )10 a 11 anosReforçoTetáno e Difteria
Febre Amarela
A cada 10 anos  
ReforçoFebre Amarela
DT ( dupla adulto )12 a 49 anosReforçoDifteria e Tétano.
RubéolaNo Pós-PartoÚnicaCaxumba, Sarampo, Rubéola,
Dupla Viral / Tríplice Virale Pós-Aborto Sindrome da Rubéola Congênita.
Gripe ( Influenza) ÚnicaGripe
Pneumococos (antipneumoo-cocíca.)Mais de 60 anosÚnicaInfecções Respiratórias (Pneumonias).

http://www.temsaude.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


Ministério da Saúde divulga calendário oficial da vacinação contra Gripe A

Imunização começa em 8 de março com os funcionários da rede de saúde e indígenas

Os grupos de risco, identificados durante a pandemia da Gripe A ano passado, foram divididos em grupos prioritários para vacinação em cinco etapas. A imunização ocorrerá simultaneamente em todos os Estados de 8 de março a 21 de maio (veja tabela), de acordo com o Ministério da Saúde. Os trabalhos começam em 8 de março com os funcionários da rede de saúde e indígenas. A previsão é vacinar 91 milhões de brasileiros durante os dois meses e meio.

O objetivo da campanha não é evitar a disseminação do vírus, que já está presente em 209 países, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, mas manter os serviços de saúde funcionando e reduzir o número de casos graves e óbitos. Uma parte das 113 milhões de doses adquirida pelo Ministério da Saúde será reservada para o caso de haver alterações epidemiológicas ao longo do inverno e eventual necessidade de ampliar o público-alvo.
JORNAL DE SANTA CATARINA
Fique atento às datas
Calendário da vacinação da Gripe A Período
— Trabalhadores da área da saúde

— Indígenas
8 a 19 de março

— Gestantes (mulheres que engravidarem após esta data poderão ser vacinadas nas demais etapas)

— Doentes crônicos com menos de 60 anos (obesidade mórbida, doenças respiratórias e pulmonares crônicas, doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória, imunodeprimidos, diabetes, doença hepática, doença renal, doença hematológica, portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca, portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica)

— Crianças de seis meses a um ano, 11 meses e 29 dias
22 de março a 2 de abril
— População de 20 a 29 anos5 a 23 de abril
— Idosos (mais de 60 anos) com doenças crônicas24 de abril a 7 de maio

— População de 30 a 39 anos 
10 a 21 de maio
Fonte: Ministério da Saúde

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O que é Anabolizante e seus Efeitos colaterais


Efeitos Colaterais dos Anabolizantes
Jovem alemão que usou anabolizantes excessivamente e acabou com o corpo.
Em busca de corpos esculpidos e de ganhar massa muscular com rapidez, engana-se quem pensa que apenas atletas utilizam  esteróides  anabolizantes. Embora não tendo estátisticas, é possível comprovar queo consumo dessa droga vem crescendo emacademias convencionais,utilizados por pessoas comuns como adolescentes , mulheres e homens. Em alguns países como E.U.A, os anabolizantes são considreados drogas pesadas , vendidas apenas por prescrição médica, aqui no Brasil a Vigilância Sanitária, tem falhado na fiscalização, por isso o consumo de anabolizantes é em larga escala
O que são esteróides anbolizantes e como agem em nossa corpo ?
Os anabolizantes são substância semelhantes aos hormônios masculinos, pos isso eles promovem o aumento de caracteres masculinos e de massa muscular , também aumenta a capacidade do corpo de absorver, aumentado a absorção de porteínas e como consequência a retenção de líquidos, o que promove inchaços. Na maioria das vezes,são consumidos associados a três tipos diferentes e em doses cavalares.
As consequências do uso de Anabolizantes
Existem cerca de 69 tipos de efeitos colaterais documentados, o usuário das superdosagens pode desenvolver problemas no fígado, até mesmo câncer, derrame e mudanças no comportamento. Em homens ocorre a diminuição na produção de esperma, retraçãodos testículos, impotência sexual, dores para urinar eo desenvolvimentos das mamas. em adolescentes ocorre a parda prematura do crescimento os tornando mais baixos   dos que não utilizam anabolizantes.  A parada repentina do consumo pode ocorrer depressão, insônia , fadiga e o desejo ainda maior de consumir anabolizantes.
Enfim, os anabolizantes tem sim sua verdadeira utilização como em tratamentos da osteoporose, deficiência de crescimento e problemas hormonais masculinos, e não para satizfazer o ego , o uso inconsequente de anabolizantes já leveram  muitas pessoas à morte, porque na maioria das vezes as consequências são irreversíveis, por isso é aconselhável que sejamos amigos do tempo para obter o corpo desejado.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

OSTEOPOROSE

A osteoporose é a diminuição da massa óssea. Apesar do osso ser um tecido vivo que se renova permanentemente durante toda a vida, se a pessoa tiver pouca atividade física ou ingerir pouco cálcio durante as primeiras décadas de sua vida, tem o risco de desenvolver osteoporose aumentado.
Durante as primeiras décadas de vida, predomina a formação óssea e por último a atividade de reabsorção óssea, de tal forma que a massa óssea começa a declinar vagarosamente a partir dos cinqüenta anos de idade para a maioria das pessoas.
Com o passar dos anos, todos os ossos do nosso corpo são totalmente renovados e o cálcio é fundamental para o crescimento dos ossos e dentes,. Todos os dias o nosso organismo recebe cálcio dos alimentos ingeridos e perde cálcio através da urina.
Se sai mais cálcio do que entra, o organismo retira cálcio dos ossos, para poder manter o nível de cálcio circulando no sangue. Com a diminuição da massa óssea, mesmo em níveis que podem ser caracterizados como osteoporose, nem sempre acarreta problemas ou limita as atividades da pessoa. A osteoporose quase nunca dói, e quando acontece de doeré porque houve fratura ou uma patologia associada chamada de síndrome dolorosa miofascial ou a osteoartrose, comuns na idade mais avançada.
Uma das conseqüências do envelhecimento é a perda gradual da massa óssea, que se torna mais frágil e as vezes diminui de tamanho. Por isso que algumas pessoas, quando se tornam idosas, diminuem de tamanho.
A osteoporose somente passa a preocupar quando começam os riscos de fraturas. As mais comuns são as fraturas de punho, úmero (osso do braço que vai do ombro ao cotovelo), vértebras, costelas e, principalmente, a do colo do fêmur (osso único da coxa).
As fraturas acabam complicando a saúde do idoso, metade das pessoas com fraturas de fêmur passam a ter limitações e até mesmo dificuldade de locomoção. Cerca de 40% dessas pessoas apresentam complicações circulatórias, troboembólicas, infecções respiratórias e desencadeamento do diabetes, que podem resultar na morte.
A falta de prevenção da ostoporose deverá resultar em algum tipo de fratura para metade das mulheres ao redor dos 70 anos e para duas em cadatrês mulheres aos 80 anos de idade. As medidas preventivas compreendem a ingestão de quantidade adequada de cálcio, o exercício físico, a correção do hipoestrogenismo e o controle dos fatores que favorecem as fraturas.

Os Fatores de Risco para a Osteoporose.

Os fatores de risco são:
  1. história familiar de fratura;
  2. fumo;
  3. mais de duas doses de bebida alcoólica por dia;
  4. baixo peso e baixa estatura com ossatura delicada;
  5. sedentarismo;
  6. idade avançada;
  7. uso contínuo de certos medicamentos como: corticoesteróides, anticonvuldivantes,ou metotrexate;
  8. ingestão inadequada de cálcio;
  9. ser da raça branca ou asiática.
Existem dois tipos de riscos para o desenvolvimento da osteoporose: o primeiro são aqueles não possíveis de correção e atinge pessoas que tem predisposição genética, como de baixo peso e estatura que têm a ossatura delicada; pertencer à raça branca ou asiática; e ter parentes próximos com o problema. A menopausa também é outro fator de risco não possível de correção.
Porém, existem casos em que se pode corrigir o problema e está diretamente ligado ao estilo de vida, como o fumo e a bebida, a falta de exercíciofísico, a alimentação que pode ser modificada e a terapia de reposição hormonal nas mulheres que têm baixa de estrógeno.

Como Prevenir a Osteoporose.

Quando a mulher se aproxima dos cinqüenta anos a produção de estrógeno diminui e a ovolução é interrompida. Com isso a mulher para de menstruar e algumas sentem dores de cabeça, dores pelo corpo, fadiga, ondas de calor, sudorese, secura vaginal, insônia, alteração do humor e aumenta a incidência de doenças coronarianas. Mas todas as mulheres tem perda de massa óssea em decorrência da queda dos níveis de estrógeno.
Uma das soluções para esses casos é a reposição hormonal, que protege contra as doenças coronarianas, reduz o risco de câncer uterino e é a melhor forma de interromper a perda de massa óssea e prevenir a osteoporose da pós-menopausa. Mulheres que tiveram câncer de seio ou que tenham enxaqueca, diabetes ou asma podem ter problemas com reposição hormonal. Nem sempre a menopausa requer o uso de drogas.
O exame que pode ser feito para medir o nível de perda da massa óssea é chamado de densitometria óssea e é indicado para as pessoas que apresentam pelo menos dois fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Nestes casos, a determinação da massa óssea é importante para auxiliar o tratamento.
Para prevenir a osteoporose é preciso fazer uma prevenção na adolescência principalmente, para as mulheres. A quantidade de massa óssea que conseguimos juntar na adolescência fará com que no envelhecimento tenhamos maior resistência contra fraturas, por isso, é fundamental que a jovem seja orientada para uma dieta rica em cálcio, como também para atividades físicas regulares.
Os exercícios físicos devem ser realizados de forma regular três vezes por semana. O melhor é caminhar, correr dançar, jogar tênis, ou praticar esporte coletivo como futebol, voleibol, basquetebol. Para pessoas mais idosas o indicado é caminhar aproximadamente 40 minutos de preferência todos os dias, respeitando sempre os limites de cada um e o conselho do seu médico.
Outro fator que auxilia no tratamento e na prevenção é a ingestão de alimentos com grandes quantidades de cálcio. Algumas das melhores fontes de cálcio são o leite e seus derivados, porém recomenda-se consumo moderado de laticínios devido a sua grande quantidade de gordura. Deve-se dar preferência aos desnatados que possuem o mesmo teor de cálcio dos integrais. Veja abaixo alguns alimentos e suas quantidadesde cálcio:

AlimentoPorçãoQuantidade de cálcio
(mg / porção)
leite integral1 xícara (200 ml)246
ou desnatado1 litro1.230
queijo tipo minas1 fatia grossa (30 g)205
queijo tipo prato1 fatia grossa (30 g)252
queijo tipo parmesão1 colher de sopa (15 g)171
requeijão1 colher de sopa (30 g)169
iogurte1 copo (200 g)240
sardinha1 unidade média (70 g)281
ostra1 porção (240 g)235
couve cozida3 colheres sopa (36 g)73
brócolis cozido3 colheres sopa (36 g)37
folha de beterraba3 colheres sopa (36 g)33
repolho cozido3 colheres sopa (66 g)28
espinafre cozido2 colheres sopa (60 g)47
cenoura crua1 unidade grande (90 g)32
laranja1 unidade média (150 g)51
mexerica1 unidade média (125 g)37
orégano10 g23
feijão branco20 g94
tremoço20 g42
amendoimcopo50
castanha de cajucopo75
avelã20g56
amêndoas20 g100
semente de gergelim20 g82
semente de girassol20 g320



Lúcia Helena Salvetti De Cicco
Diretora de Conteúdo e Editora Chefe


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Depressão

Depressão é uma desordem psiquiátrica muito mais freqüente do que se imaginava. Estudos recentes mostram que 10% a 25% das pessoas que procuram os clínicos gerais apresentam sintomas dessa enfermidade. Essas porcentagens são semelhantes ao número de casos de hipertensão e infecções respiratórias que os clínicos atendem em seus serviços. Ao contrário dessas doenças, entretanto, eles não costumam estar preparados para reconhecer e tratar depressões.
Para caracterizar o diagnóstico de depressão, foi criada a tabela de abaixo. Nela, cinco ou mais dos sintomas relacionados devem estar presentes. Dentre eles, um é obrigatório: estado deprimido ou falta de motivação para as tarefas diárias, há pelo menos duas semanas.
Critérios para diagnóstico de depressão
(Segundo o DSM-IV, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição).

· Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
· Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
· Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
· Dificuldade de concentração: habilidade freqüentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
· Fadiga ou perda de energia;
· Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
· Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
· Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
· Idéias recorrentes de morte ou suicídio.

De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos;
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.

Os sintomas da depressão interferem drasticamente com a qualidade de vida e estão associados a altos custos sociais: perda de dias no trabalho, atendimento médico, medicamentos e suicídio. Pelo menos 60% das pessoas que se suicidam apresentam sintomas característicos da doença.
Embora possa começar em qualquer idade, a maioria dos casos tem seu início entre os 20 e os 40 anos. Tipicamente, os sintomas se desenvolvem no decorrer de dias ou semanas e, se não forem tratados, podem durar de seis meses a dois anos. Passado esse período, a maioria dos pacientes retorna à vida normal. No entanto, em 25% das vezes a doença se torna crônica.


Fatores de risco para depressão
· História familiar de depressão;
· Sexo feminino;
· Idade mais avançada;
· Episódios anteriores de depressão;
· Parto recente;
· Acontecimentos estressantes;
· Dependência de droga.


O número de casos entre mulheres é o dobro dos homens. Não se sabe se a diferença é devida a pressões sociais, diferenças psicológicas ou ambas. A vulnerabilidade feminina é maior no período pós-parto: cerca de 15% das mulheres relatam sintomas de depressão nos seis meses que se seguem ao nascimento de um filho.
A doença é recorrente. Os que já tiveram um episódio de depressão no passado correm 50% de risco de repeti-lo. Se já ocorreram dois, a probabilidade de recidiva pode chegar a 90%; e se tiverem sido três episódios, a probabilidade de acontecer o quarto ultrapassa 90%.

Como é sabido, quadros de depressão podem ser disparados por problemas psicossociais como a perda de uma pessoa querida, do emprego ou o final de uma relação amorosa. No entanto, até um terço dos casos estão associados a condições médicas como câncer, dores crônicas, doença coronariana, diabetes, epilepsia, infecção pelo HIV, doença de Parkinson, derrame cerebral, doenças da tireóide e outras.
Diversos medicamentos de uso continuado podem provocar quadros depressivos. Entre eles estão os anti-hipertensivos, as anfetaminas (incluídas em diversas fórmulas para controlar o apetite), os benzodiazepínicos, as drogas para tratamento de gastrites e úlceras (cimetidina e ranitidina), os contraceptivos orais, cocaína, álcool, antiinflamatórios e derivados da cortisona.
A maioria dos autores concorda que a psicoterapia pode controlar casos leves ou moderados de depressão. O método oferece a vantagem teórica de não empregar medicamentos e diminuir o risco de recidiva do quadro, desde que a pessoa aprenda a reconhecer e lidar com os problemas que a conduziram a ele. A grande desvantagem, no entanto, está na lentidão e imprevisibilidade da resposta. A psicoterapia não deve ser indicada como tratamento exclusivo nos casos graves.
Embora reconheçam os benefícios da psicoterapia, a maioria dos autores admite que a tendência moderna é empregar medicamentos para tratar quadros depressivos. O plano terapêutico deve compreender três fases:

1)
 Fase aguda: Dura seis a doze semanas, e tem o objetivo de fazer regredir os sinais e sintomas da doença. Cerca de 70% dos pacientes responde a esta fase. Quando não ocorre resposta, o diagnóstico de depressão precisa ser reavaliado e, se houver confirmação, o esquema de tratamento modificado.

2) Fase de continuidade: Nela, a medicação deve ser mantida em doses plenas por quatro a nove meses, contados a partir do desaparecimento dos sintomas, com o objetivo de evitar recidivas. A descontinuação prematura aumenta o risco de recidiva em 20% a 40%.

3) 
Fase de manutenção: Não tem duração definida (pode ser mantida por muitos anos). Está indicada apenas nos casos de depressão grave, com alto risco de recidiva ou idéias dominantes de suicídio. Deve ser considerada nas pessoas que tiveram três ou mais episódios de depressão, ou dois episódios mais história familiar de depressão recidivante, instalação dos sintomas antes dos 20 anos de idade ou em qualquer caso com risco de morte.
Quem começa um tratamento desses deve ser alertado para o fato de que os benefícios podem não ser aparentes nas primeiras duas a quatro semanas. Nessa fase, em que alguns experimentam os efeitos colaterais dos medicamentos sem notar melhora, muitos desistem do tratamento.
Muitos portadores de depressão não se dispõem a fazer psicoterapia nem a tomar remédio. Esses devem praticar exercício físico com regularidade (melhora o humor e a auto-imagem) e aumentar o número de atividades diárias capazes de lhes dar prazer. Precisam estar cientes, porém, de que depressão é doença potencialmente grave, recidivante, capaz de evoluir independentemente do controle voluntário.


Depressão na infância e adolescência 
Depressão é uma doença crônica, recorrente, muitas vezes com alta concentração de casos na mesma família, que se manifesta não só em adultos, mas também em crianças e adolescentes. Qualquer criança ou adolescente pode ficar triste, mas o que caracteriza os quadros depressivos nessas faixas etárias é o estado persistentemente irritado, tristonho ou atormentado que compromete as relações familiares, as amizades e a performance escolar.
Em pelo menos 20% dos pacientes com depressão instalada na infância ou adolescência, existe risco de surgirem distúrbios bipolares, nos quais fases de depressão se alternam com outras de mania, caracterizadas por euforia, agitação psicomotora, diminuição da necessidade de sono, idéias de grandeza e comportamentos de risco.
Antes da puberdade, o risco de apresentar depressão é o mesmo para meninos ou meninas. Mais tarde, ele se torna duas vezes maior no sexo feminino. A prevalência da enfermidade é alta: depressão está presente em 1% das crianças e em 5% dos adolescentes.
Ter um dos pais com depressão aumenta de 2 a 4 vezes o risco da criança. O quadro é mais comum entre portadores de doenças crônicas como diabetes, epilepsia ou depois de acontecimentos estressantes como a perda de um ente querido. Negligência dos pais ou violência sofrida na primeira infância também aumenta o risco.
É muito difícil tratar depressão em adolescentes sem os pais estarem esclarecidos sobre a natureza da enfermidade, seus sintomas, causas, provável evolução e as opções medicamentosas.
Uma classe de antidepressivos conhecida como a dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina, paroxetina, citalopran, etc.) é considerada como de primeira linha no tratamento da depressão em crianças e adolescentes. Os estudos mostram que 60% desses pacientes respondem ao tratamento. Esses medicamentos apresentam menos efeitos colaterais e risco de complicações por overdose menor do que outras classes de antidepressivos. A recomendação é iniciar o esquema com 50% da dose e depois ajustá-la no decorrer de três semanas de acordo com a resposta e os efeitos colaterais. Obtida a resposta clínica, o tratamento deve ser mantido por seis meses, no mínimo, para evitar recaídas.
A terapia comportamental mostrou eficácia em ensaios clínicos, e parece dar resultados melhores do que outras formas de psicoterapia. Através dela os especialistas procuram ensinar aos pacientes como encontrar prazer em atividades rotineiras, melhorar relações interpessoais, identificar e modificar padrões cognitivos que conduzem à depressão.
Outro tipo de psicoterapia eficaz em ensaios clínicos é conhecida como terapia interpessoal. Nela, os pacientes aprendem a lidar com dificuldades pessoais como a perda de relacionamentos, as decepções e frustrações da vida cotidiana. O tratamento psicoterápico deve ser mantido por seis meses, no mínimo.
Como o abuso de drogas psicoativas e suicídio são conseqüências possíveis de quadros depressivos, os familiares devem estar atentos e encaminhar os doentes a serviços especializados assim que surgirem os primeiros indícios de que os problemas da depressão possam estar presentes.


por Drauzio Varella

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Obesidade


Obesidade
  • Introdução
  • Quadro Clínico
  • Diagnóstico.
  • Prevenção.
  • Tratamento.
  • Qual médico procurar?
  • Prognóstico

 

Introdução


A obesidade hoje é considerada uma doença e caracteriza-se pelo excesso de gordura no corpo, representando um dos grandes problemas de saúde pública no mundo inteiro.

Quase 1/3 da população mundial está acima do peso. A obesidade é medida usando uma escala chamada índice de massa corpórea ou IMC, que é calculada usando seu peso e altura (vide fórmula). Um IMC maior que 30 é considerado obesidade.

IMC =
  Peso atual - em kg

  Altura²(em metros)



REFERÊNCIAS

 18,5 - 24,99 -----------NORMAL
 22,0 ----------------------IDEAL PARA HOMENS
 20,8 ----------------------IDEAL PARA MULHERES
 25,0 - 29,99 ----sobre peso de 1ºgrau – Pré-obeso
 30,0 - 39,90-----sobre peso de 2ºgrau - Obeso
 40,0 ou mais ---sobre peso de 3ºgrau –Obeso Mórbido

Peso: Kg
Altura: m



A obesidade não é um problema moral, não é um problema mental ou de falta de força de vontade, seu tratamento implica na redução da mortalidade de pessoas que teriam suas vidas interrompidas precocemente. Infelizmente não existe milagre que promova a perda de peso sem a colaboração e a motivação da pessoa; os sacrifícios portanto precisam ser conhecidos.

A obesidade pode aumentar o risco da pessoa desenvolver várias condições, como diabete,pressão altadoenças do coração e algumas formas de câncer. Muitos riscos à saúde são mais altos nas pessoas obesas, e os riscos podem aumentar como o grau de aumento da obesidade. Em particular, as pessoas que ganham peso extra ao redor da cintura, ao invés de nas pernas e nas coxas, têm maior chance de ter problemas de saúde causados pela obesidade.

As pessoas ficam obesas por várias razões. Freqüentemente, vários destes fatores estão envolvidos. Algumas das razões mais comuns para obesidade são:

  • Influências genéticas — Apesar de representar um papel importante na determinação da obesidade, este é ainda um fator que a maioria da população não consegue mudar.
·     Fatores emocionais tais como:
- Perda de um ente querido,
- Ruptura amorosa,
- Mudança de cidade,
- Perda do emprego,
- Deixar de fumar,
- Abandono da prática de esportes,
- Devido a um “stress” pós-cirúrgico,
- Após o casamento
.
  • Influências fisiológicas — Este aspecto representa todas as diferenças individuais relacionadas aos hormônios determinando taxas metabólicas diferentes, o que significa que os corpos de diferentes pessoas queimam a comida de forma diferente. Pessoas com uma taxa metabólica alta podem exigir mais calorias para manter o mesmo peso corporal em relação a alguém cuja taxa metabólica é baixa.
  • Ingestão de comida e transtornos alimentares — Aqui residem as diferenças na qualidade da comida que cada pessoa ingere, especialmente as comidas que têm alto teor de gorduras e calorias. A compulsão e sua característica obsessiva pode determinar um comportamento tal que resulta em uma desordem alimentar.
  • Estilo de vida — A vida sedentária é um importante fator de risco mais de se tornar obeso. Hábitos alimentares entre as famílias são cruciais principalmente na infância e adolescência na determinação da obesidade de seus membros.
  • Progressão do peso em relação a idade — Se a pessoa manteve acima do peso na infância e na adolescência, é provável fique obesa quando se tornar adulta.
  • Medicamentos — O uso de anticoncepcionais, antialérgicos, corticóides, calmantes e sedativos oferece risco adicional para a obesidade.
  • Gravidez — Aproximadamente quinze por cento das mulheres permanecem acima do peso após cada gravidez.
·         Fatores Orgânicos – Alguns tumores cerebrais como os gliomas e doenças como aesclerose tuberosa, por sua localização e tipo de lesão, podem comprometer o funcionamento do regulador de gordura (lipostato) e provocar a obesidade.

Quadro Clínico

  • Peso corporal acima da média,
  • Falta de ar,
  • Insônia (dificuldade para dormir),
  • Apnéia do sono (problema onde ocorrem interrupções da respiração durante o sono),
  • Varizes nas pernas,
  • Eczemas causados pela umidade que se acumula nas dobras da pele,
  • Colelitíase (pedras na vesícula biliar),
  • Osteoartrite, especialmente dos joelhos e dos tornozelos,
  • Tendência à pressão alta (hipertensão),
  • Níveis elevados de açúcar no sangue (tendência ao diabetes tipo II),
  • Hipercolesterolemia (colesterol e triglicérides elevados).

Diagnóstico


Atualmente a obesidade é definida pelo cálculo do índice de massa corporal (IMC) – veja tabela acima. Um IMC de 30 ou mais define obesidade.

Pessoas que concentram a maior parte de seu peso ao redor da cintura tem um risco maior de doença do coração e de diabete que as pessoas com quadris largos e coxas grossas.

A gordura corporal também pode ser calculada usando um paquímetro, um instrumento que mede a dobra da pele.

Prevenção


Para prevenir a obesidade e manter um peso corporal saudável ao longo da vida, faça uma dieta sensata e pratique exercícios regularmente. Prevenir a obesidade é importante porque depois que as células gordurosas se multiplicaram, elas não irão desaparecer espontaneamente.

 

Tratamento


A redução do peso é alcançada pelo consumo de menos calorias e com a prática de atividade física.

Programas estruturados e terapias para reduzir o peso incluem:

  • Modificações na dieta:
    • Ter como objetivo a perda de peso progressiva e não muito rápida para alcançar sucesso mais definitivo e evitar o efeito sanfona;
    • Interromper o uso de bebidas alcoólicas;
    • Seguir rigorosamente as orientações de dieta do endocrinologista / nutricionista,
    • O empenho do paciente em seguir a dieta é determinante no sucesso da perda de peso;
    • As gorduras têm duas vezes mais calorias por grama que os carboidratos ou as proteínas. Se você cortou os carboidratos da dieta, você ainda pode precisar limitar a gordura ou optar por gorduras saudáveis.
  • Exercícios regulares — A prática de exercícios físicos moderados diariamente, tal como caminhar é quesito indispensável no controle do peso corporal. Se você mora em apartamento, exercite-se evitando o elevador e optando pelas escadas. Experimente ir para o trabalho ou para lugares não muito longes à pe ao invés de usar o carro.
  • Remédios e Ervas Naturais – Muitas pessoas confundem os benefícios das plantas medicinais na redução do peso com fórmulas e combinações perigosas que alguns inescrupulosos tem prescrito a seus pacientes. Consulte um endocrinologista antes de comprar estas fórmulas mágicas.
  • Medicamentos vendidos somente com receita médica — Estes medicamentos incluem a Sibutramina (Plenty ® e Reductil ®), o Orlistat (Xenical ®) que inibe a absorção de gordura da dieta e os derivados de anfetamina.
·         Cirurgia — Se obesidade é severa (um IMC maior que 40), os médicos podem recomendar um procedimento cirúrgico para limitar a quantidade de comida que o corpo pode digerir. A cirurgia bariátrica (nome utilizado para se definir a cirurgia para a obesidade mórbida) é o único método cientificamente comprovado que promove uma acentuada e duradoura perda de peso, reduzindo as taxas de mortalidade e resolvendo, ou pelo menos minimizando, uma série de doenças associadas à obesidade grave.

 

Qual médico procurar?


Procure um (a) endocrinologista se você precisa de ajuda para perder peso, ou se você tem quaisquer dos sintomas ou complicações da obesidade. Um (a) nutricionista também pode ajudar muito.

Prognóstico.

A obesidade é um problema que freqüentemente dura a vida toda. Uma vez o peso em excesso é ganho, não é fácil perdê-lo, o que se agrava com a idade do indivíduo. E uma vez a pessoa tenha perdido peso, ela terá que se esforçar para manter-se com o peso mais saudável. O tempo que se leva para alcançar a meta de peso depende do quanto a pessoa tem que perder, seu nível de atividade física e o tipo de tratamento ou programa de perda de peso que ela escolhe. As doenças associadas à obesidade freqüentemente melhoram quando a pessoa perde peso.

Algumas pessoas têm êxito em perder peso, porém outras acham difícil manter seu peso controlado por muito tempo, voltando a ganhá-lo e retornando à condição anterior. Aqueles que se mantém dentro do peso recomendado gozam de grande benefício em sua saúde.

__________________________________
Publicado por

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

Contatos