Pais ainda sofrem para abordar o assunto com os filhos, que também têm vergonha de abrir o jogo
Aline Machado Parodi
Joinville Um dia você percebe que o seu bebezinho cresceu e virou um adolescente com hormônios em ebulição. E agora? Está chegando a temida hora de falar sobre sexo, um assunto ainda tão carregado de tabus e pré-conceitos. Por mais liberal que seja a educação em casa, muitos pais ainda têm dificuldade em tratar da primeira experiência sexual dos filhos. Segundo especialistas, isso é reflexo da carga repressiva que eles sofreram na sua adolescência. E em alguns casos preferem transferir a responsabilidade à igreja e à escola.
O psicólogo Júlio Schruber Júnior entende que os pais precisam estar abertos à sexualidade dos filhos, explicando os aspectos positivos e negativos de iniciar uma vida sexual. "Os pais devem falar do prazer, do sentimento, do encontro que essa experiência traz. Mas também é preciso lembrar dos efeitos do sexo inconseqüente, como a gravidez e as doenças, sem precisar passar por cima de seus valores", afirma Júnior.
A virgindade tem um peso diferente para meninos e meninas. A sociedade machista sempre impôs que os meninos deveriam ter sua primeira relação sexual o mais cedo possível. No entanto, elas eram ensinadas a protelar ao máximo. "Para o menino de 18 ou 20 anos é difícil assumir que ainda não transou. Afinal, ele precisa provar a sua sexualidade e, em muitos casos, mente para se preservar", diz o psiquiatra. Isso é reflexo da postura machista e arcaica da educação que os pais (homens) receberam. Mas segundo Júnior, isso vem mudando. "Os pais estão aceitando esse adiamento dos filhos. Apesar de alguns ainda questionarem se existe algum problema físico ou duvidar de sua sexualidade", comenta. Há mais pressões sobre os rapazes do que sobre as meninas.
Falar sobre sexo com os filhos é uma dificuldade inerente aos pais. "Os adolescentes estão muito bem preparados. Os pais ainda carregam a carga da repressão que sofreram na sua adolescência", enfatiza o especialista. Apavorados, é assim que a maioria dos pais fica diante de uma simples pergunta. "Eles precisam aprender a conversar com os filhos, principalmente, sem dar lições de moral. Os pais devem ouvir mais e falar menos", ensina. E somente questionar sobre a primeira vez se realmente tiverem preparados para ouvir a resposta. "O problema é que os pais costumam passar a responsabilidade da educação sexual para a escola ou para a igreja porque não têm estrutura para isso", comenta.
Em relação aos sexo, não queira que seus filhos sigam seu exemplo. "é bom que os pais não se usem como exemplo. Eles não devem contar sobre a sua primeira vez para os adolescentes. Para os nosso filhos, não fazemos sexo. O adolescente tem a idéia que os pais só transaram quando o conceberam", revela. Mas a sociedade está derrubando alguns tabus sobre o sexo, mas ainda é um processo lento que vai levar algumas gerações para mudar. "Esses tabus ficam impregnados na sociedade como valores. Os filhos de agora vão refletir o comportamento dos pais com seus futuros filhos", acredita Júnior.
http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=63077
Postado no blog por:Jônathas Arruda. Quaisquer informações presentes neste texto,são de inteira responsabilidade de seu criador.
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